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terça-feira, março 23, 2010

Justiça Federal reconhece africano como apátrida e condena governo

A Justiça Federal reconheceu um africano como "apátrida" (caso daqueles que não são reconhecidos como cidadão de nenhum país) e com isso determinou que a União assegure identidade brasileira e o direito a exercer atividade remunerada. O caso ocorreu no Rio Grande do Norte com o africano Andrimana Buyoya Habizimana, que reside em Natal. Ele nasceu em Burundi e fugiu para o Brasil em um navio cargueiro. O caso se tornou alvo de discussão no Judiciário porque nem o país de origem, nem a África do Sul e o Brasil não reconhecem o africano como cidadão.

A sentença judicial, que condenou o governo brasileiro, foi do juiz Federal Edilson Pereira Nobre Júnior, da 4ª vara Federal do Rio Grande do Norte. Na decisão, o magistrado destacou que "inexiste Estado que considere o autor como seu nacional, ou que se manifeste pela pretensão de acolhê-lo".

"Considero que a negativa do pedido implicará, na prática, a redução do autor à condição de coisa, eliminando a possibilidade de desenvolvimento de sua personalidade, o que se atrita – e muito – com o princípio da dignidade da pessoa humana", escreveu o juiz na sentença.

Na argumentação da delicada situação do africano que não é reconhecido por nenhum país, o magistrado frisou: "a preocupação de preservação da dignidade da pessoa humana assoma mais relevante quando se tem que, no atual estádio do evolver do pensamento jurídico, até aos animais é recusado tratamento equivalente a de coisa".

Para condenar a União Federal a reconhecer os direitos de Andrimana Buyoya, o juiz Federal observou também que o estrangeiro está integrado as atividades da comunidade. Inclusive, quando chegou a Natal ele foi feirante e hoje trabalha como auxiliar de serviços gerais na Liga Norte-rio-grandense contra o câncer.

Entenda o caso

Em 2006, o africano Andrimana Buyoya Habizimana embarcou em um navio cargueiro da África do Sul com destino ao Porto de Santos. No mesmo ano, ele tentou entrar em Portugal, em um voo partindo de Natal. No entanto, foi encaminhado ao Brasil pela imigração portuguesa e ao chegar ao país foi condenado pela Justiça e cumpriu pena até 2008.

Originário de Burundi, país africano que vivencia crise política e econômica, após cumprir pena no Brasil, o estrangeiro solicitou ao Conselho Nacional para Refugiados e ao Conselho Nacional de Imigração refúgio político e visto permanente. Mas foi negado.

Em diligências feitas pela PF, foi constado que as embaixadas de Burundi e da África do Sul não asseguram cidadania e não aceitam a deportação.

Fonte : Assessoria de Imprensa

sexta-feira, julho 20, 2007

Brasil participa de encontro internacional de cartórios na África

O Brasil será um dos participantes do I Encontro dos Países de Língua Portuguesa dos Cartórios, que ocorrerá entre os dias 23 e 25 de julho, na Cidade da Praia, ilha de Santiago, em Cabo Verde. Dezenas de titulares de cartórios brasileiros já confirmaram presença. Além do Brasil e de Cabo Verde, mais cinco países estão entre os participantes: Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

De acordo com o presidente da Anoreg-BR, Rogério Portugal Bacellar, o encontro tem como objetivo disseminar o modelo cartorário brasileiro, trocando experiências sobre os serviços notarial e registral. "Levaremos a nossa contribuição à modernização dos cartórios dos demais países ao apresentar projetos inovadores, como o Cartório 24 Horas e a Certificação Digital, por exemplo", conta. Por meio do Cartório 24 Horas é possível solicitar certidões de 17 estados brasileiros pela Internet, de qualquer parte do país ou do mundo. Já a Certificação Digital é um mecanismo de processamento de causas pela internet, permitindo às partes o envio e recebimento de documentos, citações e acompanhamento do trâmite processual. Entre os serviços disponíveis nesse sistema estão a solicitação de ofícios, certidões de escrituras de imóveis, contratos registrados, certidões de nascimento, casamento ou óbito.

Entre os temas que serão levados pelos brasileiros à discussão, estão a atividade notarial e de registro no contexto brasileiro, a implicação dos cartórios brasileiros na defesa do meio ambiente, o aperfeiçoamento tecnológico da atividade notarial e de registro pelo uso da certificação digital e o registro imobiliário dentro do ordenamento jurídico brasileiro entre outros.

Os interessados em participar do evento podem entrar em contato com a Secretaria da Anoreg-BR, pelo telefone (61) 3322-6538 ou pelo site anoregbr@anoregbr.org.br

Fonte: AnoregBR