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quarta-feira, março 10, 2010

Artigo - Certidão e direitos humanos - Por Rogério Sottili

Este ano iniciou com um debate sem precedentes sobre Direitos Humanos no Brasil. Na virada de 2010, a discussão sobre o 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3) reforça a reflexão sobre o papel desses direitos num país como o nosso, que assumiu o compromisso de sediar a Copa do Mundo, em 2014, as Olimpíadas e Jogos Paraolímpicos, em 2016. Ao atingir esse patamar, devemos, mais do que nunca, estar à altura de celebrar a comunhão do esporte num cenário de fortalecimento da cidadania e da inclusão social. Esse é o desafio.

A certidão de nascimento é o primeiro passo para o pleno exercício dessa cidadania. Parafraseando Hannah Arendt, ela garante o simbólico “direito a ter direitos” – representa o reconhecimento público do nome e do sobrenome, é condição para a obtenção dos outros documentos. Sem a certidão, a pessoa fica sem possibilidade de acesso à escola e aos serviços de saúde, nem de inclusão em programas sociais como o Bolsa Família. Não ter certidão corresponde, de fato, a viver à margem da sociedade.

Apesar de essencial e primário, esse “direito a ter direitos” foi historicamente subtraído a uma grande parcela da população. Em 2002, o índice de sub-registro – ou seja, de bebês que completavam quinze meses de vida sem ser registrado – beirava a 20,9%. Ainda hoje, no Brasil, cerca de 380 mil crianças deixam de ser registradas ao nascer. Esse número é desigual entre as regiões, refletindo nossas diferenças sócio-econômicas: no Rio Grande do Sul, o índice de sub-registro fica em 4%, ao passo que em Roraima chega a 40%. O problema do sub-registro atinge pessoas em todo nosso território, mas é muito pior nas regiões do norte e do nordeste.

À gravidade da situação, o presidente Lula respondeu com o projeto de universalização da certidão de nascimento no Brasil, fixando como meta reduzir até o final de 2010 a 5% o índice nacional de sub-registro, percentual considerado internacionalmente como a erradicação. Para tanto, o governo federal lançou em 2007 uma agenda nacional, coordenada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, com ações intensivas para os estados do Nordeste e da Amazônia Legal, onde o problema é maior.

Para facilitar o acesso à certidão e acabar com sub-registro civil as ações se concentram em três frentes. Em primeiro lugar, “fechar a torneira”, garantindo que as mães saiam das maternidades com seus bebês com certidão de nascimento, com a instalação de 984 unidades interligadas dos cartórios em maternidades. Em segundo lugar, reduzir o número atual de pessoas jovens e adultas sem certidão de nascimento, por meio de mutirões e campanhas nacionais para alcançar o morador da periferia, o indígena, o ribeirinho, o catador de material reciclável. Por fim, fortalecer o sistema de registro, fazendo da certidão de nascimento um documento seguro, padronizado nacionalmente e confiável.

Os resultados são animadores. O governo iniciou ainda uma campanha nacional de mobillização, estrelada pelo jogador de futebol Ronaldo. Com ações coordenadas e mutirões que chegam aos lugares mais distantes do país, nas áreas rurais, em comunidades quilombolas e ribeirinhas, algumas vezes de barco, outras de avião, aceleramos a redução do índice de crianças sem registro de nascimento: era 20,9% em 2002, baixou para 12,2% em 2007 e, em 2008, caiu para 8,9%.

No caminho para a afirmação da cidadania, para o alcance efetivo de outro patamar de desenvolvimento social, é indispensável reconhecer que os direitos humanos passam, também, pela certidão. A certidão significa o direito ao nome, ao sobrenome, a exercer o direito de voto, a participar das decisões do país, a entrar na escola, ter direito à saúde, ao trabalho. Por isso mesmo, o PNDH-3 prevê ações para garanti-la no eixo “Universalizar Direitos em um Contexto de Desigualdades”. Esse, sim, é o grande desafio.



(*) Rogério Sottili é ministro em exercício da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República



Fonte: SEDH

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Governo quer reduzir sub-registro de nascimento para níveis aceitáveis até 2010

A instalação de postos registradores nas maternidades e hospitais de cidades das regiões Norte e Nordeste é uma das propostas para acabar com o sub-registro de nascimento nos estados, onde é alto o percentual de crianças sem registro de nascimento. A informação é do secretário-adjunto dos Direitos Humanos, Rogério Sottili, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR).

A erradicação do sub-registro de nascimento foi o tema do encontro entre o secretário-adjunto dos Direitos Humanos, Rogério Sottili e os secretários estaduais de Justiça e dos Direitos Humanos das regiões Norte e Nordeste, hoje (27) em Brasília, com objetivo de discutir propostas para combater o problema.

As propostas fechadas no encontro serão apresentadas pelo presidente da República, Luiz Incio Lula da Silva, na reunião que terá amanhã (28), no Palácio do Planalto, com os governadores das regiões Norte e Nordeste.

Rogério Sottili disse que a meta do governo é reduzir o sub-registro de nascimento, em todo país, dos atuais 12% para 5% até 2010.

No ano passado, a Secretaria lançou uma campanha para promover o registro civil de nascimento e orientar a população. A meta da mobilização nacional é que todos os estados tenham taxa igual ou inferior a 5% de sub-registro de nascidos vivos até 2010.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006, 12,7% dos brasileiros (409 mil pessoas) não são registrados no primeiro ano de vida. Nas regiões Norte e Nordeste a situação é mais aguda, Roraima tem a maior taxa do país, 42,8%, e o Paraná a menor, 0,1%.

Sem o registro civil de nascimento não é possível obter outros documentos, como a carteira de identidade, a carteira de trabalho e previdência social e o cadastro de pessoa física (CPF).


Fonte: Jornal de Brasília