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terça-feira, abril 13, 2010

Datafolha mostra empate técnico entre as instituições mais confiáveis do país


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quinta-feira, março 18, 2010

Clipping - Igreja cobra mais caro por casamento e impõe serviço - Jornal Folha de S.Paulo

Noivo paga até R$ 6.000 pela cerimônia e tem de contratar serviços que padre indicar

Arquidiocese estabelece que taxa pelo casamento não seja superior à do civil; igrejas dizem seguir norma, mas têm despesas extras

RICARDO GALLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Gisele (nome fictício), 29, pagou R$ 2.000 para se casar em uma das mais tradicionais igrejas de São Paulo, a Nossa Senhora do Brasil, na avenida Brasil (zona oeste). Ela nem se importou com o preço -muito acima do estabelecido pela própria Igreja Católica-, mas se surpreendeu ao ser informada de que só poderia contratar os serviços de foto e vídeo, entre outros, que a igreja indicasse.

"Tem que ser tudo do livrinho [a lista da igreja]. É um absurdo. Estava quase desistindo de me casar lá, mas a família do meu noivo queria muito", disse.

Pelas normas da Arquidiocese de São Paulo, a taxa de casamento religioso não pode ser maior que a do civil -R$ 246,30. O preço sobe para R$ 821, se o juiz for até o local da cerimônia. Já a imposição ou restrição de serviços ao consumidor é considerada prática abusiva pelo Procon.

As duas situações são corriqueiras nas principais igrejas de São Paulo. A reportagem encontrou ao menos sete igrejas que cobram entre R$ 1.000 e R$ 6.000 pelo casamento. E, em quatro, há lista de fornecedores ou serviços embutidos que os candidatos a noivos são obrigados a contratar.

As igrejas, em geral, dizem que o custo de casamento não supera o que a arquidiocese preconiza. Elas usam um expediente previsto pela arquidiocese que lhes permite incluir no custo do casamento despesas não relacionadas ao rito, como gastos com luz, limpeza e estacionamento. E dizem reverter o que ganham para manutenção e obras sociais.

Na Nossa Senhora do Brasil, onde se casou o piloto Felipe Massa, por exemplo, o preço de R$ 2.000 só vale para 2010. No ano que vem, serão R$ 2.200. São cerca de 30 casamentos por mês, em média.

O guia com os fornecedores credenciados tem, entre outros, serviços de floricultura, foto e vídeo. Para estar no guia, cada prestador de serviço paga R$ 2.000 anuais, mais R$ 200 por casamento em que atuar. Embora a igreja admita que é obrigatório, o pagamento é chamado de "contribuição".

Outras igrejas disputadas fazem o mesmo. A Perpétuo Socorro (Jardim Paulistano) e a Cruz Torta (Alto de Pinheiros) também mantêm "livrinhos" que obrigam o casal a contratar determinados serviços. Em seu site, a Cruz Torta informa que empresas não credenciadas podem prestar serviço de foto, filmagem e decoração, se os noivos quiserem -desde que paguem R$ 1.300 cada uma.

Com o preço mais alto entre os templos consultados (R$ 6.000), o mosteiro de São Bento disse que o valor inclui outros serviços, como o profissional responsável pelo órgão e assessoria cerimonial. O mosteiro permite contratação de prestadores de serviço de fora.

Nas igrejas consultadas, marcar a data do casamento pode exigir certa paciência dos noivos. Na Nossa Senhora do Brasil, por exemplo, a espera pode superar um ano, a depender do dia e do horário.

Entrevista
"É uma questão complicada", afirma bispo
DA REPORTAGEM LOCAL

O bispo Tarcísio Scaramussa, vigário episcopal para a região Sé, afirma que precisa verificar cada caso:

FOLHA - O que o sr. diz da cobrança de casamento?
DOM TARCÍSIO SCARAMUSSA - As paróquias dizem que são casos não relativos ao processo do casamento.

FOLHA - E o fato de imporem os prestadores de serviços?
SCARAMUSSA - É uma questão complicada. A empresa que será contratada precisa concordar com determinados critérios para uso do espaço. O pároco precisa conhecer esses determinados serviços e essas pessoas...

outro lado
Valor a mais é para gasto extra, dizem igrejas
DA REPORTAGEM LOCAL

As igrejas dizem que obedecem à determinação da arquidiocese quanto à taxa de casamento. O que cobram a mais, afirmam, são despesas extras.

"O nosso custo operacional é muito alto. Preciso manter três secretárias por dia se revezando, escrevente, equipe de limpeza, manutenção, cerimonial. Isso gera custo", afirmou o padre Michelino Roberto, pároco da Nossa Senhora do Brasil. No final do mês, ele diz que receitas e despesas "empatam".

Quanto à obrigação de os noivos contratarem quem a igreja indicar, Michelino disse: "Tenho direito de estabelecer critérios para as empresas trabalharem lá. O que tento é oferecer um leque grande para que não se estabeleça um monopólio". O dinheiro recebido pelos prestadores de serviço, diz, vai para obras sociais da igreja.

O padre Renato Cangianeli, administrador paroquial da paróquia Nossa Senhora Mãe do Salvador (Cruz Torta), deu a mesma explicação. Segundo ele, é dito "verbalmente" aos noivos que outras despesas são incluídas no preço.

A paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Moema, e o mosteiro de São Bento também disseram que o valor inclui outros serviços. A Folha não conseguiu falar com os responsáveis pelo Pátio do Colégio e pelas igrejas São José e Perpétuo Socorro.





Fonte: Jornal Folha de São Paulo

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Cresce número de casais que preferem os cartórios às igrejas

Falta de dinheiro, contenção de despesas ou até mesmo opção de vida. Seja qual for o motivo, cada vez mais os brasilienses deixam de lado a tradição do casamento na igreja e preferem oficializar a união no civil. Esse foi o caso da empregada doméstica Antônia Célia do Nascimento, 29 anos.

Neste ano, Antônia resolveu oficializar a relação de 11 anos com o auxiliar de limpeza Luciano Fontenele da Cunha, 36 anos, com quem tem uma filha de cinco anos. A empregada doméstica se casou no último dia 5 de fevereiro – data que ficará marcada na vida do casal –, no cartório do Paranoá. A cerimônia foi simples, rápida e contou com apenas quatro convidados.

Antônia diz que não sonhava em se casar de véu e grinalda, mas fez questão de ir vestida de branco. "Só no civil já serve. Agora, a gente se uniu mais ainda", comemora. "Para viver junto para sempre, tem que casar mesmo", completa Luciano, ao revelar que Antônia é a primeira e única mulher de sua vida. O casal mora de aluguel no Paranoá e pretende comprar um terreno para construir uma casa.

Por enquanto, o casal não pensa em promover festa para comemorar a oficialização da união. Segundo os noivos, o salário só dá mesmo para pagar as contas. "A quebradeira está demais", brinca Luciano. "Temos que economizar para poder casar no padre. É caro demais", acrescenta Antônia.

Empurrãozinho

O trampolim para o casório foi a atitude da patroa dela, Cíntia Cordeiro, 48, após experiência difícil com um conhecido. "As mulheres que vivem com o parceiro sem casar passam o maior sufoco quando acontece alguma coisa com o companheiro", avalia. "Elas não têm direito a pensão, porque não conseguem provar a união estável", assinala a moradora do Setor de Mansões do Lago, que foi madrinha do casamento da empregada.

A projetista Vivian Bezerra Santos, 29, também optou pelo cartório para oficializar o casamento com o professor de inglês Alexandre Barbosa dos Santos, 29. Com apenas seis meses de namoro, eles resolveram morar juntos. "É uma festa muito grandiosa para um momento tão curto", comenta Vivian, ao se referir ao casamento na igreja. "Tudo está tão caro, cheio de pompa. Gostamos de coisas simples", ressalta a projetista, ao explicar porque preferiu a união civil.

Em vez de ter despesas com uma grande festa de casamento, Vivian e Alexandre decidiram economizar para fazer outros investimentos, que consideram mais necessários. O dinheiro que seria gasto para recepcionar dezenas de convidados foi usado para dar entrada num apartamento e comprar um carro. "É melhor gastar com algo que vai durar para sempre", diz Vivian.

Mesmo assim, o casal não deixou de celebrar. Afinal, os pais do noivo promoveram uma pequena recepção. Em seguida, eles ofereceram a um seleto grupo de amigos um jantar de inauguração do apartamento e de comemoração do casamento. Os gastos não passaram de R$ 800. Vivian lembra que sua opção foi a mesma de vários amigos. "Tirando uma amiga, todos os outros se casaram no civil. O que vale é o amor".

Fonte: Jornal de Brasília