A estimativa de sub-registro de
nascimentos no Brasil caiu de 21,9% para 6,6% entre os anos de 2000 e
2010 e atingiu o menor nível já observado, conforme dados das
Estatísticas do Registro Civil de 2010, divulgados hoje pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente em relação ao ano
anterior, houve queda de 1,6 ponto percentual. Ao todo, foram
registrados 2,747 milhões de nascimentos no país no ano passado, pouco
menos do que os 2,752 milhões registrados em 2009.
O sub-registro
é a diferença entre a estimativa do número de nascimentos, feita pelo
IBGE com base no acompanhamento demográfico, e o número de crianças que
foram efetivamente registradas em cartório.
O documento do IBGE
destaca ainda que houve queda nos registros extemporâneos, que são
aqueles feitos após o ano de nascimento, sendo incorporados às
estatísticas em anos posteriores. Em 2010, eles totalizaram 209.903, com
"importante redução, indicando que é cada vez menor o estoque de
população sem o registro de nascimento", destaca o IBGE.
A maior
queda foi observada no Maranhão, onde o índice passou de 73,1% para 20%
em dez anos, seguido pelo Piauí (de 71,6% para 13,4% no mesmo período).
Segundo o levantamento, em 2010 os estados que apresentaram os menores
percentuais de registros extemporâneos foram São Paulo (1,2%), o Paraná
(1,8%) e Santa Catarina (1,8%). Já os maiores percentuais foram
verificados no Amazonas (28%) e no Pará (26,5%).
De acordo com o
gerente de Estatísticas Vitais do IBGE, Claudio Crespo, um conjunto de
políticas públicas e campanhas estimulando os registros de nascimento
estão sendo suficientes para garantir "a melhora significativa" ao longo
da última década.
Ele destacou ainda que o levantamento aponta
uma queda contínua de brasileiras com idades de 15 a 19 anos que se
tornam mães. O índice de nascimentos nessa faixa etária passou de 21,7%
para 18,4% em dez anos.
"Esses percentuais ainda são importantes
porque é esse grupo engloba as mães adolescentes, que estão em um
período de formação do ensino médio, preparando-se para a entrada no
mercado de trabalho. Mas, como o volume tem diminuído, já não é uma
preocupação para a sociedade", ressaltou.
Segundo Crespo, a
redução revela uma mudança no perfil dessa parcela da população, que
conta com "mais esclarecimento e perspectivas mais amplas de inserção
social e no mercado de trabalho e, por conta disso, postergam a
maternidade".
Por outro lado, houve aumento na proporção de
nascimentos, para o conjunto do país, principalmente entre as mulheres
com idades de 30 a 34 anos (de 14,4% para 17,6%).
De acordo com
as Estatísticas do Registro Civil de 2010, a quase totalidade dos
nascimentos (97,8%) ocorreu em hospitais e apenas 1%, em casa. A Região
Norte foi a que apresentou o maior percentual (2,8%) de partos no
domicílio, sendo o Acre (9,6%) e o Amazonas (7%) os estados com as
maiores proporções. Já a Região Sul apresentou o menor percentual de
partos realizados em casa: 0,21%.
Fonte : Jornal do Brasil